quinta-feira, 19 de abril de 2012

Precisão


Precisão é estar no lugar certo no momento certo; é mover-se de uma posição de silêncio a uma posição de fala no momento certo; mover-se de participação a recolhimento, de trabalho a diversão, de riso a pensamento, de colorido a neutralidade – tudo no momento certo. Precisão é aquele ponto de transição tão delicado de uma coisa a outra.

Precisão dá forma a todos os sentimentos profundos que preenchem a vida. Ela os capacita a serem expressos como deveriam: com coerência e poder. Ela assegura que nada vá longe demais, nem que as coisas sejam exageradas, fustigadas até a morte. Ela é um controle suave, não tão óbvio quanto a disciplina, porque disciplina geralmente inspira ação, enquanto a precisão, apesar de ser igualmente importante, mantém uma checagem sobre ela.

Precisão vem de saber como viver espiritualmente em um mundo material, de como tornar feliz e exato o ponto de encontro entre mente e matéria. Uma “pessoa precisa” sabe, portanto, como conservar a saúde, porque ela nunca se força demais, mas também sabe como evitar a fraqueza. Ela entende os efeitos mais sutis do pensamento sobre a maquinaria do corpo, entende o relacionamento entre o que surge na mente e o que os lábios falam, entre o que é tocado pelas mãos e o que são as ações. Cada ponto de encontro contém um segredo. A precisão entende isso.

Precisão não vem de forçar a matéria a um estado de ordem, nem de se forçar ao silêncio porque você sabe que não deveria falar. Ela não é um pânico interno que repentinamente bloqueia a expressão e diz “não!...” Ela é a força que mantém profundidade e serenidade internas para que você aborde cada segundo com respeito – lentamente, da maneira certa. Se você se move rápido demais, perde o ponto de encontro entre as coisas e torna-se como a lebre que largou em disparada, mas perdeu a corrida. É mais seguro ser a tartaruga!

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