sábado, 21 de abril de 2012

Pureza


Assim como a palavra virtude, pureza é uma palavra que no Ocidente foi associada a movimentos religiosos defendendo abstinência total de prazer. Ela é frequentemente vista com certa jocosidade, até mesmo com escárnio, e ainda assim ela é de fato a base para a maior conquista humana. Ela é a fundação da virtude. Como?

Imagine uma sala realmente bonita, perfeitamente mobiliada, ainda que com simplicidade, inundada pela luz natural do sol, com paredes pintadas em cores suaves, carpetes espessos, ornamentos posicionados com precisão e naturalidade. Alguém entra na sala, senta-se, pega alguma coisa, coloca-a em um lugar diferente, levantando-se e deixando almofadas tortas e enrugadas. Uma segunda pessoa entra, coloca uma música, começa a conversar. Então uma terceira, uma quarta, uma quinta. O volume aumenta. Uma discussão inicia. Era para ser uma festa. Então, subitamente alguma coisa é quebrada. Algo muito precioso. Com o barulho, a anfitriã, ansiosa e cansada, mas com um sentimento de dignidade em si, entra. Mas é tarde demais. Sua falta de vigilância causou grande perda.

Essa é a história da pureza. Todos os seres humanos têm um espaço interno preenchido com virtude, posses e tesouros. Para alguns, o espaço pode ser pequeno, para outros, há um palácio negligenciado em algum lugar de suas almas. Quando uma alma inicia sua vida, esse espaço encontra-se completamente intacto, preenchido de luz. Mas quando a primeira pessoa entra, quando permitimos que esse santuário seja invadido, algo se perde. Pode ser apenas uma parcela da sua integridade, mas algo se foi. Eles estenderam sua mão, talvez inicialmente como um gesto de amizade, mas com ele veio a força da influência externa e a invasão da auto-estima.

Uma pessoa entrou, e então uma segunda, uma terceira, uma quarta. Uma festa. Cada visitante traz consigo uma idéia, e o barulho da discórdia inicia. A humanidade está agora inquieta com turbulentas festas internas. E então a ruptura. Isso acontece com todos nós, e mesmo que o barulho seja bastante alto, sequer percebemos o momento em que o aspecto mais pessoal e valioso do nosso ser é massacrado. E o pior, quando nossos talentos – sejam eles quais forem – são destruídos.

Nessa hora, precisamos apenas parar e meditar, dar um fim à festa.

Toda anfitriã sabe que requer força suprema parar e limpar tudo depois de uma festa. É muito mais fácil ir dormir e deixar para mais tarde. O que é necessário? Internamente, um convite para que uma Força Suprema venha e restaure a luz e a ordem – Deus.

Encontre uma alma verdadeiramente pura e ela poderá passar por você sem deixar marca alguma, apenas uma sensação de leveza e otimismo. E quando ela parte, você sente que está genuinamente só novamente, só para apreciar a qualidade especial dentro de você que a presença dela tão suavemente realçou.

Quando Deus entra em sua vida, é como um raio laser passando através do seu ser. A desordem torna-se abominavelmente visível. No entanto, à medida que a luz entra, sua tendência principal é restaurar a beleza e o valor. A meditação é um convite à luz. Então o que Deus diz sobre pureza? Deus não diz fique só, esconda-se do mundo, seja como uma dona de casa melindrosa que estremece quando qualquer coisa é tocada. Deus aprecia uma festa, mas ele ensina respeito, o respeito que aprecia companhia, conversa, riso, mas não permite que qualquer impressão duradoura seja gravada no nosso meio-ambiente mental.

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