Uma das principais metas de
toda pessoa espiritualizada é erradicar barreiras. E, no entanto, paciência é a
criação de uma barreira suave, mas implacável, dividindo o sentimento da
expressão. Ela não é uma barreira morta, um muro de tijolos, mas algo vivo,
construído sistematicamente por um longo período de tempo. Ela também é uma
proteção.
De um lado, há o sentimento.
Os sentimentos correm profundos e rápidos. Eles inundariam a vida se lhes
déssemos um pouco de chance. Nade com eles e embora possa haver euforia, pode
haver também afogamento. Sem qualquer barreira, o sentimento encontra expressão
instantânea. A vida torna-se simplesmente uma série de ações feitas sem
critério e o mesmo acontece com as palavras.
Para alguém com um mínimo de
senso de beleza e controle, tem que haver paciência no meio. A paciência não
faz coisa alguma, não mais do que faz um muro, ela simplesmente desacelera
você. Desacelerar a expressão é o primeiro passo para acelerar o progresso
espiritual. Ao contrário de um muro, ela também abre sua visão, concede-lhe tempo
para avaliar o futuro: para suavemente pensar.
Uma das forças mais
desafiadoras para a paciência não são as outras pessoas, mas simplesmente nosso
próprio corpo. Observe em que extensão a expressão verbal é ditada pelo estado
do corpo; o corpo sente-se pesado, a mente sente-se pesada e as palavras caem
como chumbo no ar; o corpo sente-se bem, a vida segue de acordo.
A paciência repele a doença.
Ela surge entre as coisas, não atua, apenas está presente, como muro ou como
forma tradicional da mãe protetora cuja mera presença oferece refúgio. E assim
como uma criança pode sentar-se no colo de uma mãe, do mesmo modo você pode
sentar-se sobre o “muro” da paciência e apenas observar. Frequentemente é
perigoso fazer qualquer outra coisa.
Algumas vezes a paciência faz
com que você persista, leve adiante algo que você preferiria ver concluído. O
muro, sempre silencioso, vira suas costas ao sentimento e simplesmente encara o
futuro. Siga em frente. Se as mães parassem de incentivar seus filhos a
caminhar, nós todos ainda estaríamos engatinhando. E às vezes estamos, em
nossas mentes. Então paciência é uma medida maravilhosa contra a imprudência,
mas ela também é um meio de encorajamento.
Meios e medidas são
temporários. Um dia o muro será derrubado. Quando os sentimentos tiverem
crescido o bastante para serem dignos de expressão instantânea, este será o
momento de liberdade. Para qualquer pessoa que esteja seguindo uma vida de
espiritualidade, tornar-se completo é uma meta natural. Sem autocrítica, nem mesmo
paciência, apenas alegria.
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