"Through the glass door, mam." - Atravesso as portas de vidro e eis que cerca de mil pessoas se materializam a minha frente em incontaveis filas que, essas sim, eu deveria enfrentar...
Sem solucao, fiquei la uma eternidade duvidando do que via: filas pra sempre longas e gente resignadamente infeliz, como quem sabe que e sempre assim mesmo. De onde vem tanta gente? Pra onde vai? Como pode um espaco servir a tantos corpos? Sera que pode?
Verifiquei que nao. Enfrentei outras tantas filas, vi tanta gente as furando, tanta gente reclamando, tantos funcionarios, cansados, esgotados, estressados, abusados, despreparados, desisteressados que me deu ate saudade do servico do Brasil (pra se ter uma ideia da gravidade da situacao).
Mas a canseira deixou de protagonizar meu humor angustiado pra dau lugar aquele desconforto mencionado. Ele voltou soltando faiscas quando eu estava no onibus interno pra pegar um voo nacional*
Como o aeroporto e de fato grande eu ja me estava entediando de ver galpoes gigantescos e avioes dos mais variados tamanhos e linguas quando, por cima dos muros do aeroporto elas apareceram: casinhas de alvenaria com teto de amianto e mantos coloridos, panos estampados, enfeites variados ornamentando portas e janelinhas todas proximas umas das outras, pois as casinhas, assim como as pessoas do aeroporto, se espremiam umas contra as outras desafiando aquela famosa lei da fisica de que num espaco so cabe um corpo de cada vez.
Ai senti forte o desconforto anterior e saquei logo o seu porque. E esse desconforto eu vou sentir quando for tomar um trem pra algum lugar e, so por ser estrangeira, ter direito a um bilhete nas melhores classes. E o desconforto do privilegio.
Quando vi aquela singela favelinha (que de "linha" nao tem nada, deve ter mais de 1Km de muro "enfavelado" no patio do aeroporto), me deu um pouco de nausea de saber que toda a atencao que os turistas e ricos viajadores de aviao indianos ganham, desde o hiper-luxo ate o direito a servicos de melhor qualidade, nao e nada partilhado pelos moradores desse grandioso pais.
A desigualdade social machuca mais quando se veem seu extremos lado-a-lado como nesse aeroporto.
Sem solucao, fiquei la uma eternidade duvidando do que via: filas pra sempre longas e gente resignadamente infeliz, como quem sabe que e sempre assim mesmo. De onde vem tanta gente? Pra onde vai? Como pode um espaco servir a tantos corpos? Sera que pode?
Verifiquei que nao. Enfrentei outras tantas filas, vi tanta gente as furando, tanta gente reclamando, tantos funcionarios, cansados, esgotados, estressados, abusados, despreparados, desisteressados que me deu ate saudade do servico do Brasil (pra se ter uma ideia da gravidade da situacao).
Mas a canseira deixou de protagonizar meu humor angustiado pra dau lugar aquele desconforto mencionado. Ele voltou soltando faiscas quando eu estava no onibus interno pra pegar um voo nacional*
Como o aeroporto e de fato grande eu ja me estava entediando de ver galpoes gigantescos e avioes dos mais variados tamanhos e linguas quando, por cima dos muros do aeroporto elas apareceram: casinhas de alvenaria com teto de amianto e mantos coloridos, panos estampados, enfeites variados ornamentando portas e janelinhas todas proximas umas das outras, pois as casinhas, assim como as pessoas do aeroporto, se espremiam umas contra as outras desafiando aquela famosa lei da fisica de que num espaco so cabe um corpo de cada vez.
Ai senti forte o desconforto anterior e saquei logo o seu porque. E esse desconforto eu vou sentir quando for tomar um trem pra algum lugar e, so por ser estrangeira, ter direito a um bilhete nas melhores classes. E o desconforto do privilegio.
Quando vi aquela singela favelinha (que de "linha" nao tem nada, deve ter mais de 1Km de muro "enfavelado" no patio do aeroporto), me deu um pouco de nausea de saber que toda a atencao que os turistas e ricos viajadores de aviao indianos ganham, desde o hiper-luxo ate o direito a servicos de melhor qualidade, nao e nada partilhado pelos moradores desse grandioso pais.
A desigualdade social machuca mais quando se veem seu extremos lado-a-lado como nesse aeroporto.
* O aeroporto de Mumbai deve ter um posto de gasolina interno so pra abastecer seus proprios automoveis. Nem quero imaginar o quanto ele polui o ar diariamente
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