Rendição é nunca olhar para
trás. Ainda que aquilo que ficou para trás seja familiar e convidativo e o que
está na frente é, na melhor das hipóteses, apenas um sonho, render-se é dar
passos contínuos para frente. Onde cada passo não é precipitado e resoluto, mas
cuidadosamente posicionado e feliz.
O primeiro passo na rendição
é colocar seus pés sobre um caminho, renunciar definitivamente ao conforto das
encruzilhadas e optar por uma direção. Seja ela qual for, o espírito tomou uma
decisão: que um passo formará a trilha do que vem a seguir.
Depois disso, vem todas as
complicações e alegrias de viajar, as dificuldades, a economia, a paciência, o
humor e o companheirismo. Essa rendição é permanecer sempre criativo. A cada
segundo contribuir com virtudes para a jornada – não apenas tirar o melhor das
coisas, mas torná-las bonitas. Há inimigos, evidentemente, mas você precisa
rendê-los também. Veja seus pontos fortes, veja suas virtudes e eles morrem. E
se não houver virtudes, ficar calmo e continuar em frente é rendição.
O estágio final na rendição é
um voo. Pensamentos completamente elevados formam o suporte dos relacionamentos
– pensamentos preenchidos com tanta verdade que naturalmente elevam você.
Quando os pensamentos são de tal clareza, o meio de transporte muda. Do
chacoalhar suave na companhia dos outros, adaptando-se às dificuldades,
apoiando, sendo apoiado, acontece a decolagem. Essa é a rendição ao novo, a um
meio de expressão totalmente diferente, a um ponto de solitude, mas de onde a
companhia e a assistência mais sutis podem ser prestadas. A rendição mais elevada
é tornar-se um anjo.
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