domingo, 15 de abril de 2012

Obediência


Obediência traz tranquilidade. Não a tranquilidade sem movimento, mas a tranquilidade de tudo movendo-se naturalmente na direção correta. É como a maré que, atraída pela lua, muda. Podem haver todos os tipos de movimento e inquietação na água, mas a maré sempre irá mudar por causa da lua.

Obediência é quando as rebeliões da mente voltam-se sobre si mesmas como ondas e recolhem-se por causa do poder da espiritualidade que as move. Não é força, mas a criação de um ritmo natural. Do barulho à quietude, do questionamento ao silêncio. Onde há desobediência dentro de alguém, há grande perigo. Há o perigo de um oceano irromper através de uma parede, afogando de uma só vez a criação cuidadosa do pensamento; lares e famílias de idéias destruídos. Há o perigo da impulsividade e dos sonhos. Há tanto perigo.

A história da maré mudando é absolutamente precisa. Olhe para uma tabela e você saberá quando é seguro velejar. Do mesmo modo, pode-se confiar em uma mente obediente. Não é entediante ser obediente a si próprio – é a pista de decolagem para o mais desafiador dos vôos. Mantenha-se dentro das regras e você estará totalmente livre. Você será confiável e belo. É muito raro encontrar alguém com uma mente obediente.

Os passos em direção à obediência são os passos de uma dança. Eles se movem em estágios. O primeiro passo é praticado sozinho. Atenção constante a um movimento repetidamente. Essa é a obediência da mente. O recuo e o avanço rítmico de pensamentos problemáticos. Você começa a pensar, expande e então com uma precisão suave, recolhe o pensamento antes que ele machuque. O recolhimento não é um sinal de que há algo errado. Ele faz parte do passo.

O segundo estágio é aprender a dançar, juntar os passos. Isso começa com curvar-se ao professor, a aceitação de algo ou alguém de quem aprender. Obediência é seguir a dança do professor. Praticar sozinho e então observar com intensidade e entusiasmo, à medida que os passos se transformam em uma dança.

Os primeiros dois estágios não requerem mais do que atenção e dedicação. O último passo requer coragem. Ele é a obediência às circunstâncias. É quando a dança lenta e íntima do amor torna-se pública. Ser tranquilo internamente, obediente aos seus próprios princípios é uma coisa; seguir o professor, harmonizando silenciosamente, mas ser obediente às circunstancias, é outra.

É quando o mundo está gritando, exigindo, obrigando e, ainda assim, você mantém seu ritmo, mantém precisão, continua dançando, mas não num vácuo. Você doa para a vida. Em vez de a disciplina interna ser uma fuga, ela se transforma em uma fonte de prazer. Obediência máxima é quando você aprendeu os passos, conhece a dança e não importa o quão antimusical a situação possa ser, qualquer que seja o perigo de colisão e mágoa, você convida outros a dançarem com você. Não apenas convida, mas a dança da obediência torna-se sua religião.

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