sexta-feira, 13 de abril de 2012

Misericórdia


Misericórdia é a qualidade que, por trás da expressão, vê sua necessidade interna. Por trás da raiva, a tristeza, por trás da frieza, o medo. A misericórdia vai ao fundo e encontra as necessidades ocultas da mente das pessoas, seu eu-criança.

Ter misericórdia é reconhecer a vulnerabilidade que há em você e alimentá-la com o que você está aprendendo, para que ela se fortaleça e torne-se do mesmo nível de sua condição e calma de adulto. Misericórdia é saber que ainda que a mente peça pelo que é visível e material, frequentemente suas necessidades são mais profundas e mais exigentes e não podem ser preenchidas por qualquer coisa falsa ou a curto prazo.

Misericórdia é a sabedoria de ver que uma mente fracassada precisa de um sistema no qual preencher suas necessidades. Misericórdia verdadeira não é, portanto, meramente brandura ou compaixão, mas um sistema espiritual cujas pegadas claras possam manter a presença de Deus, e então, ao serem seguidas, tornem-se um ponto de encontro com Ele. Esse encontro é, por si só, o presente mais valioso que uma mente humana pode receber. Nele há um treinamento para os sentidos; um treinamento para recolhê-los, para que, livre de influências, a mente possa recuperar sua força e aprender o que é singular em si, como se, em um momento de vitória silenciosa, recebesse sua própria herança.

Quando uma mente encontra sua força novamente, ela desenvolve a confiança necessária para reingressar no mundo e manter-se viva e talentosa dentro dele. Misericórdia é manter exatidão até o último momento e ajudar os outros a fazerem o mesmo, para que eles não mais ancorem suas vidas em atrações temporárias, mas movam-se na direção da beleza encoberta que existe neles.

Por isso é errado culpar alguém que machuca você, pois a recriminação vê apenas o que está fora, e não o que há por trás disso. Misericórdia é pensar, fazer e falar apenas o que conduz ao interior, onde residem os verdadeiros motivos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário