Misericórdia é a qualidade
que, por trás da expressão, vê sua necessidade interna. Por trás da raiva, a
tristeza, por trás da frieza, o medo. A misericórdia vai ao fundo e encontra as
necessidades ocultas da mente das pessoas, seu eu-criança.
Ter misericórdia é reconhecer
a vulnerabilidade que há em você e alimentá-la com o que você está aprendendo,
para que ela se fortaleça e torne-se do mesmo nível de sua condição e calma de
adulto. Misericórdia é saber que ainda que a mente peça pelo que é visível e
material, frequentemente suas necessidades são mais profundas e mais exigentes
e não podem ser preenchidas por qualquer coisa falsa ou a curto prazo.
Misericórdia é a sabedoria de
ver que uma mente fracassada precisa de um sistema no qual preencher suas
necessidades. Misericórdia verdadeira não é, portanto, meramente brandura ou
compaixão, mas um sistema espiritual cujas pegadas claras possam manter a
presença de Deus, e então, ao serem seguidas, tornem-se um ponto de encontro
com Ele. Esse encontro é, por si só, o presente mais valioso que uma mente humana
pode receber. Nele há um treinamento para os sentidos; um treinamento para recolhê-los,
para que, livre de influências, a mente possa recuperar sua força e aprender o
que é singular em si, como se, em um momento de vitória silenciosa, recebesse
sua própria herança.
Quando uma mente encontra sua
força novamente, ela desenvolve a confiança necessária para reingressar no
mundo e manter-se viva e talentosa dentro dele. Misericórdia é manter exatidão
até o último momento e ajudar os outros a fazerem o mesmo, para que eles não
mais ancorem suas vidas em atrações temporárias, mas movam-se na direção da
beleza encoberta que existe neles.
Por isso é errado culpar
alguém que machuca você, pois a recriminação vê apenas o que está fora, e não o
que há por trás disso. Misericórdia é pensar, fazer e falar apenas o que conduz
ao interior, onde residem os verdadeiros motivos.
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