Incansabilidade é quando você
permanece tranquilo numa posição mental específica e dá ao que quer que você
esteja fazendo a força pura dessa tranquilidade – seja a luminosidade de um
sorriso ou a calma da observação. Qualquer que seja a cor, você a acrescenta à
cena, de forma articulada e sem manchas. É então mover-se dessa cor para a
seguinte sem hesitação, sem contornos borrados; mudando repentinamente de
acordo com a necessidade. Incansabilidade requer confiança. Ela também requer
tal amor pela vida que não há um recuo sequer em direção ao passado ou anseio
pelo futuro. O agora é belo e é válido colocarmos energia nele. Tudo é
importante.
Às vezes o que auxilia a
incansabilidade é nos recolhermos suavemente da cena visível e focalizarmos a
cena mental. Não vale a pena concentrar-se numa cena sem cor ou profundidade,
mas além dela, alguém está chamando, há um trabalho a ser feito em silêncio.
Quando você aprende a ouvir necessidades à distância, não fica mais cansado com
uma vida óbvia. Sua mente encontra sempre relevância... em algum lugar,
silenciosamente.
A incansabilidade vem para
aqueles que tem uma consciência do tempo, para aqueles que reconhecem quão
crítica a vida está, como cada momento oferece algo muito mais significativo do
que aquilo que é aparente e como, também, há tanto sofrimento. Ele lhe impede
completamente de “dormir”. Desenvolver uma consciência da vida que ultrapasse
nossos limites imediatos traz uma inquietação saudável, que usada de modo
correto e inspirada com paz, é uma contribuição em direção à transformação – algo
tão invisível como os tijolos de uma fundação, mas igualmente importante. Pois para
essa incansabilidade, que sente a importância das coisas não diretamente
relacionadas a você – mas que são assuntos maiores – precisa haver poder. Poder
vem de alcançar altura, de ir além do imediato e, de cima, captar uma visão
mais ampla da vida. E então permanecer nessa posição elevada: acima do agora,
acima das barreiras, acima dos relacionamentos, acima dos sentidos, acima até mesmo
do seu próprio corpo. Você deixou para trás a confusão e a estreiteza que o
tornam cansado e alcançou ar puro. Ar puro é o primeiro remédio.
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