A humildade não desconsidera
coisa alguma e leva até mesmo as coisas pequenas a sério. É o reconhecimento de
que o que quer que esteja na vida e na sua frente deve ser respeitado como algo
que irá fazê-lo progredir; que dentro de coisas grandes, às vezes, há pouco,
mas dentro das pequenas há frequentemente uma enormidade.
A humildade não estende a mão
para obter coisas a mais, simplesmente aceita o que está disponível. Quer seja
alimento, roupa ou entendimento. Às vezes, há muito disponível , outras vezes,
apenas um pouco. Não importa. Mesmo quando você não entende algo, não há
preocupação, pois na humildade existe a confiança de que se a pessoa sente-se
como um filho de Deus, tudo virá de algum modo, no momento certo. E
conhecimento no momento errado é tão perigoso quanto ignorância.
Humildade também é a base
sobre a qual as coisas podem acontecer: um cuidado e simplicidade a partir dos
quais se pode criar. Porque não existe nela expectativa de brilhantismo, a realização
da tarefa acontece com maior naturalidade, sem a ameaça do que será dito ou
pensado pelos outros. É adorável conviver com uma pessoa humilde, pois a seu
lado sentimo-nos em nossa melhor disposição e, ainda, porque ela se respeita,
nada a diminui, mas fala ainda mais de sua beleza, porque a metade da aquisição
ela já conquistou.
Por trás de toda a tarefa
criativa precisa haver humildade, pois humildade é neutralidade, e sobre o
neutro as cores e formas do trabalho ficam claras à visão e ao molde. Se um
novo mundo estivesse por vir, ele precisaria vitalmente dessa base tranquila
sobre a qual formar-se, para poder permanecer igual enquanto as coisas
estivessem mudando.
Portanto, a humildade é
especial, ainda que, às vezes, ela se disfarce de uma forma tão comum. Pois
quando algo valioso está se formando, o comum e o barulho são, às vezes, necessários
para desviar a atenção daquilo que está crescendo. A humildade, numa pessoa sem
preocupação com reputação, pode facilmente vestir o disfarce, para que nada do
trabalho verdadeiro seja visto.
Humildade é a disposição
voluntária em ser útil no que for necessário, não importando quão fora de caráter
aquilo possa parecer; pois na humildade, a individualidade foi trocada pela
tarefa na qual se está envolvido. O silêncio, nesse caso, é uma aceitação
inquestionável do que quer que precise ser feito.
A humildade é rara, porque para possuí-la você precisa não querer nada.
Se, de fato, você a tem, você consegue tudo.
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