Introversão é o ponto de
encontro entre beleza e despojamento. É quando externamente há apenas amor e
cordialidade, as qualidades de qualquer vida humana decente, mas internamente
há sabedoria e percepção. É quando externamente há relacionamentos com alguns
poucos, mas internamente há o suficiente para abastecer um relacionamento com o
mundo; externamente há consideração pelo presente, e internamente há
consciência do futuro. Introversão é a porta que divide os dois; não sendo
limitante, porque uma porta sempre se abrirá, mas sendo protetora, porque é
noite e há ladrões rondando.
O que é a noite? Noite é
quando ninguém sabe ao certo o que quer ou o que está fazendo. Noite é quando
as pessoas questionam as coisas, de modo que a porta precisa ser trancada à
chave porque quando as pessoas não sabem o que querem, elas roubam qualquer
coisa. Os tesouros de uma mente desenvolvendo-se em silêncio estão sempre sob
risco. Então precisa haver precaução reforçada.
A introversão também deveria
ser exercida depois de uma festa onde houve uma troca de bens. Aqui é preciso
fechar suavemente a porta, mesmo par aos amigos mais próximos, e então convidar
à solitude. É a precaução que cuidadosamente verifica quem convidar para
dentro, e não por medo, mas por amor ao que lhe foi confiado cuidar.
E, no entanto, a introversão
não é mais silenciosa do que a verdadeira solitude. Ela é participação, mas não
apenas isso. É falar com paz, caminhar com humildade, trabalhar com amor.
Quando a ação é acompanhada com uma profundidade de qualidade, isto é um sinal
de introversão. É quando ao invés de permanecer dentro, você escolhe
aventurar-se pela porta, levando consigo algo de valor para todos.
Não será sempre noite. Haverá
um momento quando a manhã chegará. O que acontecerá então? As cortinas serão
abertas e o que está dentro será visível através das janelas. Os olhos refletem
claramente a vida da mente. E ainda que ela não possa ser tocada, pode ser
vista e apreciada.
E quando o dia chegar – as janelas
e portas estarão completamente abertas. A mente se abrirá, acessível, e a luz
do sol tornará igual o que está dentro e o que está fora. Será um momento onde
privacidade e “individualidade”, proteção e cuidado terão passado. Um período singular
de comunhão, quando as mentes serão tão leves que poderão passar umas pelas
outras sem ferir-se. Um tempo quando a virtude que a introversão protegeu será
derramada em uma fonte comum de alegria. Será o paraíso.
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