quinta-feira, 5 de abril de 2012

Introversão


Introversão é o ponto de encontro entre beleza e despojamento. É quando externamente há apenas amor e cordialidade, as qualidades de qualquer vida humana decente, mas internamente há sabedoria e percepção. É quando externamente há relacionamentos com alguns poucos, mas internamente há o suficiente para abastecer um relacionamento com o mundo; externamente há consideração pelo presente, e internamente há consciência do futuro. Introversão é a porta que divide os dois; não sendo limitante, porque uma porta sempre se abrirá, mas sendo protetora, porque é noite e há ladrões rondando.

O que é a noite? Noite é quando ninguém sabe ao certo o que quer ou o que está fazendo. Noite é quando as pessoas questionam as coisas, de modo que a porta precisa ser trancada à chave porque quando as pessoas não sabem o que querem, elas roubam qualquer coisa. Os tesouros de uma mente desenvolvendo-se em silêncio estão sempre sob risco. Então precisa haver precaução reforçada.

A introversão também deveria ser exercida depois de uma festa onde houve uma troca de bens. Aqui é preciso fechar suavemente a porta, mesmo par aos amigos mais próximos, e então convidar à solitude. É a precaução que cuidadosamente verifica quem convidar para dentro, e não por medo, mas por amor ao que lhe foi confiado cuidar.

E, no entanto, a introversão não é mais silenciosa do que a verdadeira solitude. Ela é participação, mas não apenas isso. É falar com paz, caminhar com humildade, trabalhar com amor. Quando a ação é acompanhada com uma profundidade de qualidade, isto é um sinal de introversão. É quando ao invés de permanecer dentro, você escolhe aventurar-se pela porta, levando consigo algo de valor para todos.

Não será sempre noite. Haverá um momento quando a manhã chegará. O que acontecerá então? As cortinas serão abertas e o que está dentro será visível através das janelas. Os olhos refletem claramente a vida da mente. E ainda que ela não possa ser tocada, pode ser vista e apreciada.

E quando o dia chegar – as janelas e portas estarão completamente abertas. A mente se abrirá, acessível, e a luz do sol tornará igual o que está dentro e o que está fora. Será um momento onde privacidade e “individualidade”, proteção e cuidado terão passado. Um período singular de comunhão, quando as mentes serão tão leves que poderão passar umas pelas outras sem ferir-se. Um tempo quando a virtude que a introversão protegeu será derramada em uma fonte comum de alegria. Será o paraíso.

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