Disciplina vem de dentro. Se
ela é imposta ou assumida por exibicionismo, é como vestir um casaco. Você o
veste na rua onde ele é visto, mas quando entra num lugar quente, você
simplesmente o tira. Na intimidade dos seus próprios problemas, ela simplesmente
torna-se uma carga; você quer livrar-se dela. A verdadeira disciplina faz parte
de você. É uma expressão de respeito pela vida – o primeiro motivo que o faz
vestir o casaco – mas é também uma expressão de respeito por você mesmo e é por
isso que você a mantém – mesmo quando as coisas ficam difíceis.
De fato, é natural ser disciplinado,
seguir um padrão de existência que tenha ordem. A natureza tem ordem: felicidade
e tristeza, e, ainda que às vezes incompreendidas, elas possuem seu tempo
determinado. Nada acontece simplesmente ao acaso. Mesmo a morte está à mercê de
um sistema. Apenas não conseguimos vê-lo. Existe, portanto, uma atração à disciplina
e é por isso que a verdadeira liberdade não é sempre o que parece ser, e este é
o motivo pelo qual acabamos nos tornando infelizes quando não adotamos uma
rotina.
Disciplina requer uma meta
tangível, a adoção de algo maior que você, algo que possa guiar sua atitude, de
outro modo, como você irá saber o que está errado e pelo que lutar? A menos que
você tenha o espelho de um sistema no qual se mirar, nada parecerá errado. Pode
até ser o sistema de uma profissão ou a canalização de um talento. Um dançarino
simplesmente não usaria saltos de dez centímetros; um atleta também não, e um
político tomaria cuidado com suas palavras. No entanto, na sua melhor forma, a
disciplina vem de algo além disso – de algo espiritual que transcende talento
ou profissão.
Quando a disciplina vem de um
compromisso do espírito, ela traz uma segurança inabalável. Ela acende o fogo
do amor com uma espécie de serenidade. Ela o mantém no meio da estrada. Sem
paradas abruptas, antes que a jornada tenha terminado. Num momento de doença há
segurança porque a disciplina o faz sustentar precisão quando seria mais fácil
apenas desistir; há segurança na felicidade, porque a disciplina impede-o de
derramar sentimentos em excesso sobre os quais outros poderiam escorregar; há
segurança no sofrimento, porque a disciplina faz com que você continue a
caminhar através de ações que trarão sua alegria de volta. Em todos os estados
de espírito, a disciplina mantém-no suavemente estável. Disciplina é
misericórdia. Ela torna-se uma voz interior que suaviza a resistência das fraquezas
e o conduz em direção à liberdade.
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