sábado, 9 de maio de 2015

Do amor e suas questões


“Amor é quando não se dá nome à identidade das coisas?
Quero saber se a esperança [...] era um adiamento do que é possível já
– e que eu só não tenho por medo. Quero o tempo presente
que não tem promessa, que é, que está sendo.”

A paixão segundo G.H.
Clarice Lispector


O amor, quem o define?
O poder nominador do amor, sobre quem pesa?
Pode ser um pleno e puro conceito?
Ou o amor é uma chaga feroz contrária à água que molha e depois seca, mas tal qual chama que consome e inexoravelmente refaz?
O amor é substância ou substantivo?
Quem pertence ao amor?

Quando do amor em nós, quanta ilusão cabe?
Ou só cabe ilusão quando há ausência de amor no ser?
Amar é ser verdade?
Amar é perceber a improbidade de qualquer propriedade?
Amar é ver que não se tem nem a si mesmo quanto menos àquilo que se ama?
Amar é, acaso, entregar?

O amor, finalmente, pode curar?
Seria amor o momento epifânico de uma morte?
Amar é ter força para aguentar a própria presença nua e crua?
Amar é estar nu?
O amor, se for mesmo plenitude de pureza rebentando no peito, nos salva a nós, pecadores? 
Quanto amor pode, enfim, limpar?

Eu, quando amo, obedeço?
Eu, quando amo, sirvo?
Eu, quando amo, dou?
Eu, quando amo, multiplico?
Eu, quando amo, sei?
Eu, quando amo, amo?

Como se ama em silêncio?
Pode o amor se expressar na quietude? Na solidão?
Contemplar a respiração do mundo - na aranha que foge, na água que espirra no lodo, na cidade que grita sua agitação, na criança que canta - é amar como quem vive?
No amor penetra-se no útero da vida?
Mergulhar no abismo dos medos é amar?
Amar é vencer a luta pela sobrevivência da paz?
O amor nos existe ou existimos o amor? Existimos fora do amor?

De tanto amar, posso, um dia, ser amor? Como Deus é?

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