“Amor é
quando não se dá nome à identidade das coisas?
Quero saber
se a esperança [...] era um adiamento do que é possível já
– e que eu
só não tenho por medo. Quero o tempo presente
que não tem
promessa, que é, que está sendo.”
A paixão
segundo G.H.
Clarice
Lispector
O amor, quem o define?
O poder nominador do amor, sobre quem
pesa?
Pode ser um pleno e puro conceito?
Ou o amor é uma chaga feroz contrária à
água que molha e depois seca, mas tal qual chama que consome e inexoravelmente
refaz?
O amor é substância ou substantivo?
Quem pertence ao amor?
Quando do amor em nós, quanta ilusão
cabe?
Ou só cabe ilusão quando há ausência de
amor no ser?
Amar é ser verdade?
Amar é perceber a improbidade de
qualquer propriedade?
Amar é ver que não se tem nem a si mesmo
quanto menos àquilo que se ama?
Amar é, acaso, entregar?
O amor, finalmente, pode curar?
Seria amor o momento epifânico de uma
morte?
Amar é ter força para aguentar a própria
presença nua e crua?
Amar é estar nu?
O amor, se for mesmo plenitude de pureza
rebentando no peito, nos salva a nós, pecadores?
Quanto amor pode, enfim, limpar?
Eu, quando amo, obedeço?
Eu, quando amo, sirvo?
Eu, quando amo, dou?
Eu, quando amo, multiplico?
Eu, quando amo, sei?
Eu, quando amo, amo?
Como se ama em silêncio?
Pode o amor se expressar na quietude? Na
solidão?
Contemplar a respiração do mundo - na
aranha que foge, na água que espirra no lodo, na cidade que grita sua agitação,
na criança que canta - é amar como quem vive?
No amor penetra-se no útero da vida?
Mergulhar no abismo dos medos é amar?
Amar é vencer a luta pela sobrevivência
da paz?
O amor nos existe ou existimos o amor?
Existimos fora do amor?
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