Não é o amante. Sabe, aquele frio no estômago de tantos anos
atrás e desde sempre um bendito querido? Aquele mesmo que, quando há pouco,
então, presença auspiciosa. Esse aí. Agora, não ele. Agora mesmo. Não,
certamente. Indiscutível. Nem ligo, nem quero, nem espero. Dele, agora, boa
distância sem peso e sem força. Presságio de pausa e empoeiramento, só. E
poeira é o caso de tudo. Até de estrada.
Eis o tema. Vem da memória adolescente de um sonho intenso de
lua e emoção. Não bastava pros dias e fazia noites insones, onde eu guardava os
sons da cidade no peito. Por isso fui aprendendo a escutar com o coração e
apreciar timbres e fonemas diversificados. Hoje lembrei da ideia antiga de
expansão donde vim a trilhar a trajetória até aqui. Abrir é infinito. Me
divorciei da preguiça pra ser fiel à devoção fundamental.
Explorar, mergulhar, saltar, permitir, experimentar,
deflorar, revolver, revelar; de uma determinação desavergonhada e pouca já tiro
a coragem bastante. Questão hoje é ouvir sussurros do destino guiando a
realização de verdades. Questão é partilhar a poética e alimentar. Questão de
seguir fluindo sem turbulência.
Uma vida, quando tão, dá ansiedade. Quando, então, dará
apego. Aqui a vida dá mistério; eu respondo: paciência em silêncio. Passo até o
ponto vindouro de pausa, ou de passagem. Passar. Dor, medo, aventura, instinto,
sabedoria, intuição... enfim, liberdade.
Adeus.
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