Árvores. Enormes estruturas
com sistemas massivamente complexos de crescimento e decadência, que podem ser
destruídos em uma questão de segundos. Não é de estranhar que a humanidade
tenha escolhido a imagem da árvore para ilustrar sua própria história: a árvore
da vida. E ainda tão simples, tão suave. Onde quer que a semente caia,
independente da atmosfera, ela apenas cresce, sem ser interrompida por nada,
exceto pela violência humana. E ela nunca tenta ser algo diferente do que é,
sendo esta uma tendência que tanto incomoda. Carvalhos não perderiam
subitamente sua condição de carvalhos, a menos que transplantados ou submetidos
a algum outro procedimento igualmente artificial. Elas também não ferem. Mesmo
elevando-se como uma torre sobre um animal ou sobre um monte insignificante de
arbustos, uma árvore não os tocará. Na verdade, ela oferece abrigo.
Pelo que sabemos, árvores não
tem almas. Mas há almas que são como árvores, enormes em seu pensamento e,
ainda assim, totalmente suaves. Não a suavidade da insegurança. Essa pode
enganar às vezes. Lembro de uma menina na minha escola que era assim – muito inteligente
e, no entanto, em sua escrita faltava profundidade. Seus poemas eram sempre
perfeitos, até a última linha, quando a rima soava errada. Parecia que sua
suavidade mantinha-a a apenas um passo de brilhar. Mas agora, acho que ela
apenas tinha medo ou não sabia que era tão boa.
Suavidade verdadeira em uma
pessoa é um grande poder. O poder que vê, entende, mas nunca interfere. Como o
galho da árvore, apenas tocando a terra, mas nunca criando raízes nela. Nunca
criar raízes na mente de alguém, mas ajudar, isso é suavidade.
É difícil não referir-se a Deus ao pensar sobre essas coisas. Imagine o
Ser no universo que vê e entende tudo e, ainda assim, Aquele que permanece
completamente distanciado, influenciando apenas se convidado. Um relacionamento
com Deus é um relacionamento ideal porque a vida é dramaticamente influenciada
e, ainda assim, é como estar perto de alguém completamente tranquilo que esteja
apenas nos ensinando a olhar, não dizendo: olhe para Mim, eu lhe mostrarei, mas
sim: fique aqui e você verá como lidar com sua vida. Todos nós precisamos dessa
árvore gentil sob a qual sentarmos.
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