segunda-feira, 7 de maio de 2012

Suavidade

Se as árvores tivessem almas, talvez a qualidade mais atribuível a elas fosse a suavidade. Suavidade não é falta de força, mas uma qualidade que não perturba, não pressiona e, ainda assim, conhece seu poder e pode oferecer abrigo.

Árvores. Enormes estruturas com sistemas massivamente complexos de crescimento e decadência, que podem ser destruídos em uma questão de segundos. Não é de estranhar que a humanidade tenha escolhido a imagem da árvore para ilustrar sua própria história: a árvore da vida. E ainda tão simples, tão suave. Onde quer que a semente caia, independente da atmosfera, ela apenas cresce, sem ser interrompida por nada, exceto pela violência humana. E ela nunca tenta ser algo diferente do que é, sendo esta uma tendência que tanto incomoda. Carvalhos não perderiam subitamente sua condição de carvalhos, a menos que transplantados ou submetidos a algum outro procedimento igualmente artificial. Elas também não ferem. Mesmo elevando-se como uma torre sobre um animal ou sobre um monte insignificante de arbustos, uma árvore não os tocará. Na verdade, ela oferece abrigo.

Pelo que sabemos, árvores não tem almas. Mas há almas que são como árvores, enormes em seu pensamento e, ainda assim, totalmente suaves. Não a suavidade da insegurança. Essa pode enganar às vezes. Lembro de uma menina na minha escola que era assim – muito inteligente e, no entanto, em sua escrita faltava profundidade. Seus poemas eram sempre perfeitos, até a última linha, quando a rima soava errada. Parecia que sua suavidade mantinha-a a apenas um passo de brilhar. Mas agora, acho que ela apenas tinha medo ou não sabia que era tão boa.

Suavidade verdadeira em uma pessoa é um grande poder. O poder que vê, entende, mas nunca interfere. Como o galho da árvore, apenas tocando a terra, mas nunca criando raízes nela. Nunca criar raízes na mente de alguém, mas ajudar, isso é suavidade.
É difícil não referir-se a Deus ao pensar sobre essas coisas. Imagine o Ser no universo que vê e entende tudo e, ainda assim, Aquele que permanece completamente distanciado, influenciando apenas se convidado. Um relacionamento com Deus é um relacionamento ideal porque a vida é dramaticamente influenciada e, ainda assim, é como estar perto de alguém completamente tranquilo que esteja apenas nos ensinando a olhar, não dizendo: olhe para Mim, eu lhe mostrarei, mas sim: fique aqui e você verá como lidar com sua vida. Todos nós precisamos dessa árvore gentil sob a qual sentarmos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário