Em um nível mais profundo, podemos reconhecer agora não só a nossa própria imortalidade, mas também a de todas as outras criaturas. No nível da forma, partilhamos a mortalidade e a precariedade da existência. No nível do Ser, partilhamos a vida eterna e radiante. Esses são dois aspectos da compaixão. Na compaixão, os sentimentos de tristeza e de alegria, aparentemente opostos, se fundem em um só e se transformam em uma profunda paz interior. Isso é a paz de Deus. É um dos mais nobres sentimentos de os homens são capazes e possui um grande poder de cura e transformação. Mas a verdadeira compaixão, como acabei de descrever, ainda é rara. Ter uma profunda empatia pelo sofrimento de um outro ser exige um alto nível de consciência, mas representa apenas um lado da compaixão. Não é completo. A verdadeira compaixão vai além da empatia ou da simpatia. Não acontece até que a tristeza se misture com a alegria, a alegria do Ser além da forma, a alegria da vida eterna.
[...]
Nossa primeira tarefa não é buscar a salvação através da criação de um mundo melhor, mas sim despertar da nossa identificação com a forma. Não estamos mais presos a este mundo, a este nível de realidade. Podemos sentir nossas raízes no Não Manifesto e assim estamos livres do apego ao mundo manifesto. Ainda podemos desfrutar os prazeres passageiros deste mundo, mas não somos mais escravos dessas experiências, não estamos mais em busca de satisfação através de uma gratificação psicológica, através da alimentação do ego. Não temos mais medo de perder alguma coisa, portanto não precisamos nos apegar a este mundo. Estamos em contato com algo infinitamente maior do que qualquer prazer, maior do que qualquer coisa manifesta. Em um certo sentido, não precisamos mais do mundo e nem mesmo que ela seja diferente do que é.
É neste ponto que você começa a dar uma contribuição real para criar um mundo melhor, uma nova realidade. É neste ponto que você se torna capaz de sentir a verdadeira compaixão e de ajudar os outros. Somente aqueles que transcendem o mundo conseguem criar um mundo melhor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário