Sabedoria é conhecimento do
perigo, mas sem medo algum. É a capacidade de localizar uma curva no caminho à
distância, uma passagem estreita, a possibilidade de uma colisão; é parar e
esperar em paz até que alguma coisa tenha passado. Falta de sabedoria é
continuar, esperando que tudo dê certo.
Sabedoria também é riqueza, e
não desconfiança ou reserva. A riqueza da experiência acumulada dentro de você.
Experiência não apenas do passado, mas também do futuro, tranquilamente sabendo
o que virá. Ela é como a renda cujos juros são usados diariamente para se virar
com facilidade e evitar imprevistos, mas cujo maior volume permanece seguro
internamente, emergindo quando ocorre uma “cratera” em sua vida.
Ainda que exista riqueza, a
sabedoria evita exibir-se, entende de economia e sabe que ninguém precisa do
seu julgamento, apenas do seu amor pela vida, da sua cordialidade e percepção.
A sabedoria simplesmente vê a necessidade e fornece o que é necessário,
adaptando-se, mas permanecendo única. Tranquilamente.
Assim, sabedoria não é tanto
uma qualidade criativa, mas a qualidade de nutrir o que já foi feito, o que já
existe. Usar o que você tem até o último milímetro, tirando sangue de uma
pedra, porque as últimas gotas são valiosas. É perceber a monotonia da vida e
torná-la bonita, como uma criança que vibra de entusiasmo com um botão que um
adulto teria jogado fora porque não faz parte de um conjunto.
Então, sabedoria é extrair o
melhor do que você tem, trabalhando verticalmente, e não horizontalmente, não
estendendo sua mão para obter mais nem aceitando coisas demais. Nunca dizer que
você fará alguma coisa, apenas fazê-la, não sendo entusiástico demais, mas
sorrir com os olhes e voltar-se para a tarefa.
É reconhecer que cada gesto
de doação é um gesto correto e cada gesto de aceitação é um convite à
influência. Porque mesmo se você aceitar o que mais quer, pode haver lama
grudada naquilo: a lama de “isso é meu”. Peso. Dando, e ao mesmo tempo
recolhendo-se, você traz de volta a leveza. E sente que está certo.
E é isto o que a sabedoria
faz – ela reconhece o corretismo da vida. Ela expulsa o protesto e a
demonstração, mas nunca a força. Ela é uma vida de vitórias silenciosas e de
derrotas sorridentes.
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