segunda-feira, 9 de abril de 2012

Leveza


Leveza é como atingir uma nascente de água interna. É uma interrupção repentina da secura das nossas reações normais, à medida que a expressão nasce do interior, em vez de apenas reagir ao que vê externamente. Geralmente ela aparece quando você se depara com uma qualidade que não foi destruída ou desgastada pelo tempo, algo muito antigo e inerente em você e que sobreviveu nascimento após nascimento. A maioria das qualidades e talentos são desenvolvidos através do uso, mas são também, de algum modo, diluídos e modificados. Leveza é tocar no que se torna único porque nunca mudou.

O que acontece então? Riso. O riso externaliza-se, borbulhando em sua vida. Pode ser que você tenha tocado na suavidade, na eterna e imutável suavidade, mas a nascente parece sempre exteriorizar-se em riso. E o encantamento e a alegria do riso protegem a suavidade que você encontrou, porque alguém sorrindo toca a todos, mas não pode ser tocado.

E à medida que o riso se fortalece, duas coisas acontecem. Primeiro surge a tendência de perceber o valor nos outros, porque a inocência sente nas pessoas a parte que a sociedade ensina-as a esconder. Em segundo lugar, aumenta a qualidade interior. A nascente torna-se um rio e começa a fluir pela vida de um modo mais aberto, mais potente. E então, partindo de uma descoberta pessoal profunda, ela se torna parte da sua vida. E não apenas isso, mas ela se torna uma fonte para outros. É só você se sentar ao lado de um rio e, sem que ele faça nada, você sente como você realmente é e para onde está indo. Talvez isso tenha sido o que as escrituras quiseram dizer quando contaram a história de Sidharta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário