Leveza é como atingir uma
nascente de água interna. É uma interrupção repentina da secura das nossas
reações normais, à medida que a expressão nasce do interior, em vez de apenas
reagir ao que vê externamente. Geralmente ela aparece quando você se depara com
uma qualidade que não foi destruída ou desgastada pelo tempo, algo muito antigo
e inerente em você e que sobreviveu nascimento após nascimento. A maioria das
qualidades e talentos são desenvolvidos através do uso, mas são também, de algum
modo, diluídos e modificados. Leveza é tocar no que se torna único porque nunca
mudou.
O que acontece então? Riso. O
riso externaliza-se, borbulhando em sua vida. Pode ser que você tenha tocado na
suavidade, na eterna e imutável suavidade, mas a nascente parece sempre
exteriorizar-se em riso. E o encantamento e a alegria do riso protegem a
suavidade que você encontrou, porque alguém sorrindo toca a todos, mas não pode
ser tocado.
E à medida que o riso se
fortalece, duas coisas acontecem. Primeiro surge a tendência de perceber o
valor nos outros, porque a inocência sente nas pessoas a parte que a sociedade
ensina-as a esconder. Em segundo lugar, aumenta a qualidade interior. A
nascente torna-se um rio e começa a fluir pela vida de um modo mais aberto,
mais potente. E então, partindo de uma descoberta pessoal profunda, ela se
torna parte da sua vida. E não apenas isso, mas ela se torna uma fonte para outros.
É só você se sentar ao lado de um rio e, sem que ele faça nada, você sente como
você realmente é e para onde está indo. Talvez isso tenha sido o que as
escrituras quiseram dizer quando contaram a história de Sidharta.
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