sábado, 15 de outubro de 2011

O Amor - autor desconhecido

O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que
aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver.
Nenhuma outra lição é exigida do Homem.
E que é amar, senão aquele que ama absorver o amado de
modo a que os dois sejam um?
A quem ou a quê devemos amar? Podemos escolher uma
certa folha da Árvore da Vida e despejar sobre ela todo o
nosso coração? E o ramo que produziu essa folha? E a
haste que sustenta esse ramo? E a casca que protege essa
haste? E as raízes que alimentam a casca, os ramos e as
folhas? E o solo que envolve as raízes? E o sol, o mar e o
ar que fertilizam o solo?
Se uma pequena folha merece o vosso amor, quanto mais
o merecerá a arvora toda! O amor que corta uma fração do
todo, antecipadamente se condena ao sofrimento.
Direis: “Mas há muitas e muitas folhas em uma única
árvore: umas são sadias, outras são doentes; umas são
belas, outras feias; algumas são gigantes, outras são anãs.
Como poderemos deixar de escolher?”
E vos direi: Da palidez do doente provém a vitalidade do
sadio. E vos direi ainda mais, que a fealdade é a paleta, a
tinta e o pincel da Beleza; e que o anão não seria anão se
não tivesse dado parte de sua estrutura ao gigante.
Vós sois a Árvore da Vida. Cuidado para não dividirdes a
vós mesmos! Não ponhais um fruto contra outro fruto,
uma folha contra outra folha, um ramo contra outro ramo;
nem ponhais o ramo contra as raízes, ou a árvore contra a
terra-mãe: é exatamente isso que fazeis quando amais uma
parte mais do que o restante, ou com exclusão do restante.
Vós sois a Árvore da Vida. Vossas raízes estão em toda
parte. Vossos ramos e folhas estão em toda parte. Vossos
frutos estão em todas as bocas. Sejam quais forem os
frutos dessa árvore; sejam quais forem os seus ramos e
folhes; sejam quais forem as suas raízes, serão os vossos
frutos; serão as vossas folhas e ramos; serão as vossas
raízes. Se quiserdes que a árvore dê frutos doces e
aromáticos, se a desejardes sempre forte e verde, cuidai da
seiva com que alimentais as suas raízes.
O Amor é a seiva da Vida. O ódio é o pus da Morte. Mas o
Amor, tal como o sangue, precisa não encontrar obstáculos
para circular nas veias. Reprimi o movimento do sangue e
ele se tornará uma ameaça, uma praga. E que é o Ódio
senão o Amor reprimido ou Amor retido, tornando-se um
veneno tanto para o que alimenta como para o alimentado,
tanto para o que odeia como para o que é odiado.
Uma folha amarela na vossa Árvore da Vida é somente
uma folha à qual faltou Amor. Não culpeis a folha
amarela.
Um ramo ressequido é somente um ramo faminto de
Amor. Não culpeis o remo ressequido.
Uma fruta podre é somente uma fruta que amamentada
com Ódio. Não culpeis a fruta podre. Culpai antes o vosso
coração cego e egoísta que repartiu a seiva da vida a uns
poucos e a negou a muitos, negando-a assim a ela própria.
Não há outro amor possível senão o amor a si próprio.
Mas nenhum ser é real, senão aquele que abrange o Todo.
Eis porque Deus é Amor; porque Deus se Ama a Si
Mesmo.
Se o Amor vos faz sofrer, é porque ainda não encontrastes
o vosso próprio ser, nem achastes ainda a chave de ouro
do Amor, pois se amais um ser efêmero, o vosso amor é
efêmero.
O amor do homem pela mulher não é Amor. É algo muito
diferente. O amor dos pais pelos filhos é tão somente o
limiar do sagrado templo do Amor. Enquanto cada homem
não amar a todas as mulheres, e vive-versa; enquanto cada
criança não for filho de todos os pais e de todas as mães, e
vice-versa, deixai que os homens se gabem de carnes e
ossos que se apegam a outras carnes e ossos, mas jamais
deis a isso o sagrado nome de Amor. Será blasfêmia.
Não tereis um único amigo enquanto vos considerardes
inimigo, ainda que seja de um único homem. Como pode o
coração que abriga inimizade ser um refúgio seguro para a
amizade?
Não conhecereis a alegria do Amor enquanto houver ódio
em vossos corações. Se alimentásseis com a seiva da Vida
todas as coisas, menos um pequenino verme, esse
pequenino verme sozinho tornaria amarga a vossa vida,
pois quando amais alguém ou alguma coisa, na realidade
somente amais a vós próprios. Do mesmo modo, quando
odiais alguém ou alguma coisa, em verdade odiais a vós
mesmos, pois aquilo que odiais está inseparavelmente
ligado àquilo que amais, como o verso e o reverso da
mesma medalha. Se quiserdes ser honestos convosco
mesmo tereis que amar aqueles e aquilo que odiais e
aqueles e aquilo que vos odeia, antes de amardes o que
amais e o que vos ama.
O Amor não é uma virtude. O Amor é uma necessidade;
mais necessidade é, do que o pão e a água; mais do que a
luz e o ar.
Que ninguém se orgulhe de amar. Deveis respirar no
Amor tão natural e livremente como respirais o ar, para
dentro e para fora de vossos pulmões, pois o Amor não
precisa de ninguém que o exalte. O Amor exaltará o
coração que considerar digno de si.
Não espereis recompensa do Amor. O Amor é, em si
mesmo, recompensa suficiente para o Amor, assim como o
Ódio é, em si mesmo, castigo bastante para o Ódio.
Não peçais contas ao Amor, pois o Amor não presta
contas senão a si mesmo.
O Amor não empresta nem pode ser emprestado; o Amor
não compra nem vende; mas quando dá, ele se dá todo
inteiro; e quando toma, toma tudo. E o seu dar-se é tomar.
Conseqüentemente é o mesmo, hoje, amanhã e sempre.
Assim como um poderoso rio que se esvazia no mar é
reabastecido pelo mar, assim deveis esvaziar-vos no Amor
para que sejais para sempre enchido de Amor. A lagoa que
retém o presente que o mar lhe dá torna-se uma lagoa de
água estagnada.
Não há mais nem menos no Amor. No momento em que
tentardes graduar e medir o Amor ela desaparecerá,
deixando só amargas recordações.
Nem há agora nem depois, ou aqui e acolá no Amor.
Todas as estações são estações do Amor. Todos os locais
são próprios para serem habitados pelo Amor.
O Amor não conhece fronteiras nem obstáculos. Um amor
cuja ação é impedida por qualquer obstáculo, não merece
o nome de Amor. Sempre vos ouço dizer que o Amor é
cego, no sentido de que não vê defeitos naquele que é
amado. Essa espécie de cegueira é o máximo da visão.
Desejaríeis ser sempre tão cegos que não encontrásseis
faltas em coisa alguma?
Não! É claro e penetrante o olhar do Amor. Por isso ele
não vê faltas. Quando o Amor houver purificado a vossa
visão não vereis jamais nada que não seja digno de vosso
Amor. Só uma vista despojada de Amor, um olho faltoso,
está sempre ocupado em encontrar faltas. E quaisquer
faltas que encontre, serão as suas próprias faltas.
O Amor integra. O Ódio desintegra. Esta imensa e pesada
massa de terra e pedra, a que dais o nome de Pico do Altar
voaria rapidamente para todos os lados, se não fosse
conservada unida pela mão do Amor. Até mesmo os
vossos corpos, perecíveis como parecem ser, resistiriam à
desintegração, se amásseis com a mesma intensidade cada
uma das células que o constituem.
O Amor é paz cheia das melodias da Vida. O Ódio é a
guerra ansiosa pelos satânicos golpes da Morte.
Que preferis: o Amor para gozardes a paz eterna, ou o
ódio para estardes para sempre em guerra?
Toda a terra está viva em vós. O céu e suas hostes estão
vivos em vós. Amai, pois, a Terra e todos os seus
habitantes, se amais a vós mesmos. Amais o Céu e todos
os seus habitantes, se amais a vós mesmos.

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