quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Do Paulo

... Aquele que está desperto sente o que tiver que sentir, sem entrar nos
jogos da mente. Então as situações vêm, acontecem, ele experiencia o que
tiver que experienciar e então passa (= se transforma em outra coisa ou vai
embora).

Isso é assim para a pessoa desperta porque ela está 'fora' da mente; ela
está em um estado de consciência em que o que quer que a mente traga, a
pessoa desperta 'não compra', não põe a atenção dela no que a mente está
trazendo.

Então o sofrimento não se prolonga, porque sofrimento é da mente. São
aqueles horripilantes pensamentos de futuros tenebrosos que a mente traz :
~ ah, meu Deus, vai ser sempre assim
~ eu nunca vou sair disso
~ de novo estou sentindo / vivendo isso
~ de novo isso está acontecendo
~ ninguém vai gostar de mim
~ eu nunca vou ter uma vida melhor
~ quando isso vai acabar?
~ eu não vou conseguir ser assim ou assado, etc, etc, etc.
~> Acreditem se quiser, isso é uma tentativa (da mente) de fugir da dor. E
é intensamente doloroso esse processo. É por isso que o sofrimento se
prolonga...

E a mente vai continuar trazendo esse tipo de pensamento toda vez que
alguma dor se manifestar em nós. Mas a pessoa desperta não vai dar atenção
a esses pensamentos. Ela estará simplesmente experienciando a dor pela dor.
E dependendo do estágio de despertar da pessoa, talvez a mente já nem
esteja mais trazendo esse tipo de conteúdo... (isso é outra coisa)

*Aquele que não está desperto* está na mente. Está submerso em um estado de
consciência que está aí por pelo menos 5.000 anos. E nesse estado de
consciência a mente tem força e influência. Nesse estado de consciência a
mente funciona de uma forma em que a dor é percebida e entendida como
'ruim'. Isso é algo aprendido e passado por gerações há milênios, e não há
como fugir disso...

Então automaticamente a mente tenta escapar do sofrimento, é tudo o que
está sendo feito há 5.000 anos, não há como ser diferente. Só que as
ferramentas da mente para escapar não são nada criativas. E são bem
rudimentares: ela só tem uns pouquíssimos básicos recursos para tentar
escapar da dor. E ela usa repetidamente os mesmos recursos - é por isso que
quem não está desperto tem pensamentos e comportamentos bem repetitivos
toda vez que alguma dor se manifesta. É a mente com seus poucos recursos
fazendo o que ela pode para escapar. Só que isso gera mais sofrimento, um
sofrimento quatro vezes maior:

a dor propriamente dita +
o estress dos pensamentos e comportamentos repetitivos +
a frustração de ver que nada disso está funcionando +
perceber que o sofrimento está aumentando

O que o ser não desperto pode fazer?

1) Compaixão por si e pela mente (são 5.000 anos, você quer brigar com
isso??)

2) Tentar começar (ao menos começar) a observar o conteúdo que a mente
traz, como se fosse um cientista observando uma formiga trabalhadeira...

3) Observar como é automático e como sozinho você não consegue mudar nada

4) Se alinhar com um poder muito maior do que a mente de 5.000 anos de
idade: A Consciência Superior... : se ajoelhar diante do Srimurthi, e *pedir
ajuda*: por favor, é disso que eu quero receber libertação; me ajude, eu
não consigo sozinho...

5) (isso é uma dica, quem puder faz) Cantar AmmaBhagavan por 21 min com as
mãos unidas e abertas em concha juntinho ao peito, como quem pede bênção.

6) Permanecer como um bravo guerreiro, consciente e permissivo com o que
vai dentro.. e não fugir do que vai dentro, e não desistir de permanecer e
deixar o que estiver acontecendo acontecer até o fim...

A lista dos 71 mil só vai aumentar...

Amor,
Narayani

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