sábado, 10 de março de 2012

Benevolência

Benevolência é a boa vontade silenciosa. É como o sol brilhando sobre um solo duro, amaciando a terra, derretendo o gelo, mas sem qualquer plano ou intenção de curar. É um estado de naturalidade e é por isso que ele funciona, porque o solo não se sente em dívida com o sol. Do mesmo modo, estar na extremidade receptiva da benevolência é estar recebendo algo pelo qual não há retorno. Sequer uma pressão para responder – o que faz com que tão facilmente respondamos.

Benevolência é um estado de ser que conta apenas consigo mesmo. Sem ter relação com os sentimentos de misericórdia ou preferência, ou com golpes súbitos de amor, ela apenas é. Ela não oferece algo específico, mas todos são atraídos a ela. Ela não responde a pergunta alguma, mas nos capacita a pensar. Ela não ensina coisa alguma, mas por causa dela, você pode aprender.

Ser benevolente é ter formado uma ligação tão forte com uma fonte de energia ininterrupta, que mesmo as interrupções da vida não conseguem bloquear esse reabastecer constante. Não importa quão seca seja a vida, a maré continua seu fluxo e refluxo, sempre. E nos momentos imediatamente anteriores à virada, quando a vida levou-o aos limites, você apenas sabe que está à beira de um grande influxo e então você permanece calmo, reconhecendo o vazio temporário apenas como um prelúdio. Apenas se você fere alguém a maré pára de virar e você fica encalhado e precisa lutar.

Tornar-se benevolente é o melhor auxílio que você pode dar a qualquer pessoa porque a benevolência não possui forma alguma, assim como a luz do sol, mas ela pode infiltrar-se nas áreas de pânico da mente de uma pessoa e aliviar a carga.

É a menos intrusa das virtudes e, ainda assim, é bem-vinda em qualquer lugar.

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