sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A vida ou Reflexão sob(re) o sol

O sol vê tudo. Vê lugares e coisas incríveis e inacreditáveis. Aquece e ilumina generosa e repetidamente. É a fonte. O começo. Uma divindade.

Ser o sol é ter olhos como ouvidos - sem pálpebras - que abrigam tudo, o bom e o mal. É trazer pra dentro presentes e presenças. É dar energia, dar calor e luz, ajudar a ver, não temer ofuscar ou queimar; puro fogo e brilho em todo ser.

O sol lança raios em todos, todo o mundo. Em pessoas que curam, que enganam, que lutam, que destroem. A todos serve da mesma forma. Reflete nas lágrimas de um órfão faminto e no suor de um alpinista numa montanha.

Se acostumou a iluminar lugares diferentes ao longo do ano, sem preferir um ou outro e sem se incomodar por não alcançar certos becos, vales, cavernas. Aceita, radiante, conviver com esses mistérios que não pode desvendar.

O sol não tem identidade, não tem nome de batismo, preferências musicais, estilo de vida, não tem educação, não opina sobre nada, não tem ídolos, gurus, amuletos, não se apóia em nada. O sol não precisa de pilares, é tão leve que fica no céu, pra além das nuvens.

Há outras estrelas como o sol, brilhando a distâncias enormes. A luz do sol talvez mal alcance algumas delas de forma que é difícil outra estrela saber o quão maravilhosa é essa luminosidade. Mas o sol arde todos os dias com a mesma força, sem desânimo pela falta de reconhecimento. É que reconhecer é conhecer de novo o que já se conhece, então pra reconhecer uma estrela há que se ser uma estrela também. Daí a solidão solar.

O sol aceita brilhar mesmo assim. Entrega toda sua luz e calor sem temer o dia em que, como estrela que é, cessará de brilhar e toda vida à sua volta silenciará.

O sol não se apegou aos bilhões de anos que viu passarem; ciente do fim ele não se deixa entristecer.

Sua energia vigorosa revela na pele sensível: o sol vibra.

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